Via 5:15 (Cinco e Quinze) - Pedra do Elefante - Andradas

Era início de 2005 já faziam quase 2 anos que eu havia me mudado para Porto Alegre. Em minhas férias no trabalho fui para São Paulo para visitar a família e rever os amigos. E aproveitei também para passar por Andradas, lugar que eu havia frequentado muito nos anos anteriores, e que agora, por estar longe, sentia saudades.
Assim, passei uma semana em Andradas junto com meu amigo Filippo Croso. Foi uma semana intensa de escaladas, onde pude relembrar os velhos tempos conquistando vias na região.
Abrimos uma via na parede do "Corpo de Elefante", que naquela época ainda não havia sido escalada. Foram dias seguidos de trabalho na rocha. Todos os dias acordávamos às 5:15 da madrugada, passávamos o dia abrindo a via e voltávamos de noite para o Refúgio do Pântano. Apesar das frequentes tormentas de verão, que em algumas ocasiões nos pegou durante o dia, conseguimos finalizar a via naquela semana. Demos o nome de "5:15" na via, que resultou uma bonita e agradável linha, de aproximadamente 190 metros, em estilo tradicional, mesclando proteções móveis e fixas.

- Cinco e Quinze (5 Vsup - E2 - 190m; Filippo Croso, Roberto Lacaze)

Croqui da via 5:15 (Cinco e Quinze), Pedra do Elefante, Andradas (MG). Clique na imagem para ampliar.


Ao longo do ano de 2005 e nos anos seguintes várias outras vias foram abertas no Corpo de Elefante. Hoje o setor conta com diversas linhas de grande beleza.

Após sua abertura em janeiro de 2005, a via 5:15 foi bastante escalada e tornou-se muito popular. O vídeo abaixo, do Hang On, foi filmado pelo Tonto (Mauricio Clauzet) e mostra a via sendo escalada numa visita que ele fez a Andradas.


Video: Se Carmiando em Andradas - Escalada em Andradas


Mais informações: Escalada em Andradas - Informações e Croquis

Abertura de Vias de Escalada em Rocha

Abaixo está uma relação das vias que conquistei juntamente com meus amigos e companheiros de escalada até o ano de 2005:

- Tendências Sociofóbicas ( 6 VIsup (A1+ / IXb) / 120 metros / proteção móvel), Pedra do Pântano, Andradas;
- Universo Paralelo ( 6 VIIc / 50 metros / proteção móvel), Pedra do Pântano, Andradas;
- Baguette Não ( 5 VI A1+ / 150 metros / proteção móvel), Pedra do Pântano, Andradas;
- Pão Francês ( 5 VIsup / 150 metros / proteção móvel), Pedra do Pântano, Andradas;
- Perdidos no Pântano ( 6 VIIb / 45 metros / proteção móvel), Pedra do Pântano, Andradas;
- Monstro do Pântano ( 6 VI / 75 metros / proteção móvel), Pedra do Pântano, Andradas;
- Invasores ( VI / 30 metros / proteção móvel), Pedra do Pântano, Andradas;
- Manteiga Derretida ( 4 VI / 55 metros / proteção móvel), Pedra do Pântano, Andradas;
- 5:15 ( 5 Vsup / 190 metros / proteção móvel), Pedra do Elefante, Andradas;
- Twister ( 6 VIIa / 40 metros / proteção móvel), Pedra Rajada, Andradas;
- Bunda Gostosa ( IV / 25 metros / proteção móvel), Pedra do Lopo, Extrema;
- Só Para Tirar a Zica ( VI / 20 metros / proteção fixa), Visual das Águas, Bragança Paulista;
- Cucaracha Borracha ( VI / 20 metros / proteção fixa), Visual das Águas, Bragança Paulista;
- Domingo de Chuva ( VI / 20 metros / proteção fixa), Visual das Águas, Bragança Paulista;
- Flash Power ( VI / 25 metros / proteção fixa), Pedra da Leoa, Brasópolis;
- Happy Mondays ( Vsup / 25 metros / proteção móvel), Pedra da Piedade, Itajubá;
- Mistura Fina ( VIIIc / proteção fixa), Pedra da Piedade, Itajubá.



Foto: Pedra do Pântano, Andradas, MG


Foto: Filippo Croso, durante a conquista da via "Baguette Não", em Andradas (MG). Foto de Roberto Lacaze


Foto: Filippo Croso e Roberto Lacaze no cume da Pedra do Pântano, após abrir a via "Baguette Não" e efetuar assim a primeira ascensão da Pedra do Pântano, em Andradas (MG).



Figura: Croqui da via "Baguette Não", na Pedra do Pântano, em Andradas (MG)


Visual das Águas (SP):

Foto: Roberto Lacaze na via "Cucaracha Borracha", na Parede da Sombra, Visual das Águas, perto de Bragança Paulista-SP. Foto de Filippo Croso (publicada na revista Headwall)


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Andradas - MG:

O site do Abrigo do Pântano contém várias informações sobre as escaladas da região de Andradas:

Abrigo do Pântano


O texto a seguir, extraído do site do Abrigo do Pântano, relata a conquista das primeiras vias na Pedra do Pântano:


Uma serra com paredes de granito de quase 200 metros de altura intocadas a apenas duas horas e meia de São Paulo? Era difícil acreditar nessas histórias que o Renato Affonso contava sobre as pedras que havia perto da cidade de Andradas. Mas em um final de semana de outubro de 1998, depois de muita insistência por parte do Renato, Roberto Lacaze foi conferir de perto as paredes tão comentadas. Tão logo, ficou impressionado com o potencial da região para a escalada em rocha. Naquele final de semana Renato e Roberto foram já com a intenção de dar continuidade à via que o Renato tinha iniciado com o francês Antoine na Pedra do Pântano. Ele havia retornado para a França e a via tinha ficado inacabada. Roberto sugeriu o nome de “Pão Francês” para a via, em homenagem ao Renato (ex-padeiro e “português”) e ao Antoine. No entanto, naquele final de semana, primeira vez em que o Roberto esteve por lá, o tempo estava chuvoso. E a via que Renato e Antonie haviam iniciado seguia por uma canaleta por onde escorria água. Estava impraticável. Não pensaram duas vezes e decidiram então iniciar a conquista de uma outra via ao lado esquerdo, onde a rocha estava menos molhada.

Os meses seguintes também foram chuvosos e sempre que os escaladores iam para Andradas dava continuidade apenas a essa nova via, deixando a “Pão Francês” intacta. No ano seguinte Filippo Croso começou a ajudar na conquista. E foi somente em agosto de 1999 que Filippo e Roberto terminaram a via e chegaram ao cume da Pedra do Pântano. Deram o nome a via de “Baguette Não”, como uma brincadeira ao Renato, que estava naquela época com a idéia de dar nomes de pães às vias abertas naquele setor. Mas a idéia não foi muita bem aceita, quando ele tocava no assunto a galera desconversava, e em uma dessas conversas, veio a real: “Qualquer nome menos Baguete, Baguete Não!”.

Após a conclusão da primeira via na Pedra do Pântano, a "Baguette Não", os escaladores de São Paulo continuaram trabalhando na conquista de outras vias. Roberto voltou à Pedra do Pântano junto com o David Henrique: Terminaram de abrir a via “Pão Francês” até o cume e também abriram uma variante, a via “Perdidos no Pântano”. A galera de São Paulo começou a divulgar o local para que outros escaladores também se interessassem em conquistar vias. Apresentaram a pedra para escaladores de Bragança Paulista, que iniciaram uma nova via: a “Nini Van Prehn”. Mais tarde, escaladores de Mogi Mirim também iniciaram a conquista de uma via na Pedra do Pântano: a “Caninana”, conquistada no ano de 2001. Esses últimos já haviam conquistado em 1994 algumas vias na Pedra do Elefante, onde se iniciaram as escaladas na região de Andradas.

Desde então o número de conquistas é crescente. Atualmente a região de Andradas oferece uma boa diversidade de vias (do esportivo ao tradicional) aos escaladores que por lá quiserem se aventurar. Hoje já existem vias abertas na Pedra do Pântano, Pedra do Elefante, Pedra do Boi e, em outras pedras da região, não esquecendo é claro do campo de boulders.
Estas formações distam de 15 a 20 km do centro da cidade de Andradas, em um ambiente de pastos e florestas, estradas de terra, riachos, pequenos bairros, tranqüilidade e silêncio, além de uma ótima receptividade da população local em relação aos montanhistas e a atividade.


Foto: Pedra do Elefante, em Andradas (MG)

Foto: Pedra do Boi, em Andradas (MG)



O texto a seguir, extraído do site do Abrigo do Pântano, relata a conquista das primeiras vias na Pedra do Elefante, pelo pessoal de Mogi Mirim, assim como a conquista da primeira via no Corpo do Elefante (a via “5.15”):


Durante a realização de um trabalho de campo com a intenção de se localizar uma cavidade natural (caverna), que existe naquela região, a equipe de Montanhismo "Escala" avistou de longe um imponente conjunto de pedras (formação rochosa), que logo chamou atenção de todos.Sua dimensão e o desenho formado por sua silhueta que sugere a figura de um Elefante, logo contagiou a todos da equipe, que de imediato iniciou os trabalhos de pesquisas e assim descobriu-se a história da Pedra do Elefante através dos moradores locais.Até os dias de hoje muitos moradores ainda usam o nome da Pedra do Diamante como referência geográfica. Em 1994 iniciou-se a primeira conquista na Pedra do Elefante também conhecida como Pedra do Diamante. A via conquistada foi à Via Normal, localizada na cabeça do Elefante com 130 metros. Em 2004 a via chamada de “A Era do Gelo”, foi a primeira via conquistada a ser patrocinada por uma empresa fabricante de equipamentos: a "CONQUISTA". Em janeiro de 2005 foi conquistada a primeira via no "Corpo do Elefante", a Via 5:15, com 190 metros, por Filippo Croso e Roberto Lacaze.

Encravada na serra da Mantiqueira, onde neste trecho recebe o nome de Serra do Pau D’Alho, com altitudes variando entre 900 a 1510 metros de altitude a Pedra do Elefante fica localizada entre as cidades mineiras de Andradas e Ibitiúra de Minas - MG.



Pedra da Piedade - Itajubá (MG):


O link abaixo mostra algumas vias na Pedra da Piedade. A maior parte das vias da Pedra da Piedade foram conquistadas depois de eu, o Cláudio e o Carlão abrirmos nossas vias. Essa pedra era ainda muito pouco conhecida quando abrimos nossas vias. Alguns anos depois, o pessoal da região abriu diversas vias e o local passou então a ser bastante freqüentado. O pessoal de lá não tinha conhecimento dos nomes de nossas vias e muito menos de nós. Passei essas informações mais tarde para eles.

Escalada Brasil - Pedra da Piedade

Morro da Igreja e Serra Catarinense

Foto: A incrível Pedra Furada, vista do topo do Morro da Igreja (1822m).


Foto: O Morro da Igreja (1822m)


A primeira vez que passei por lá, em 2004, estava de férias, viajando de carro desde Porto Alegre em direção a São Paulo. Decidi fazer a viagem pela serra: de Cambará do Sul segui até São José dos Ausentes, passei por Silveira e continuei até São Joaquim, tudo por estrada de terra. De São Joaquim fui até Urubici (por estrada asfaltada). De Urubici fui conhecer o Morro da Igreja e continuei pela Serra do Corvo Branco (em estrada de terra, com exceção do trecho mais alto: o "passo" e os caracóis, onde é asfaltado), descendo até o litoral.


Foto: Serra do Corvo Branco

Foto: Serra do Corvo Branco: muitas curvas e belas paredes de basalto


O Morro da Igreja está situado na Serra Geral, no sudeste do estado de Santa Catarina. Seu pico possui 1822m de altitude e é considerado o ponto habitado mais alto da Região Sul. Também é considerado um dos lugares mais frios do Brasil, onde no inverno são comuns as temperaturas negativas e a ocorrência de queda de neve. Nele foi registrada a temperatura de -17,8°C, em 29 de junho de 1996, possivelmente a temperatura mais baixa já medida no Brasil. Porém, esse registro não é oficial. A menor temperatura registrada oficialmente no Brasil até essa data foi de -14°C, no município de Caçador, também no estado de SC, em 1952.
No alto do Morro da Igreja há uma base militar da Força Aérea Brasileira (FAB) e também antenas de controle do tráfego aéreo (CINDACTA). Um pouco abaixo do cume do Morro da Igreja está a Pedra Furada, uma linda formação rochosa em forma de arco.
O Morro da Igreja (1822m) é o segundo ponto mais alto de Santa Catarina e o quarto da região Sul do Brasil, atrás do Morro da Boa Vista (1827m), em Santa Catarina, e dos picos Caratuva (1860m) e Paraná (1877m), no estado do Paraná.


Rio Grande do Sul - Escaladas

Em maio de 2003 deixei a cidade de São Paulo e fui morar e trabalhar em Porto Alegre. Apesar da rotina puxada do trabalho, nos finais de semana passei a frequentar os points de escalada do Rio Grande do Sul.



Foto: Roberto Lacaze escalando na Gruta da Terceira Légua, em Caxias do Sul-RS

Foto: Eduardo Tondo (Duca) escalando na Gruta da Terceira Légua, em Caxias do Sul-RS

Foto: Eduardo Tondo (Duca) escalando na Gruta da Terceira Légua, em Caxias do Sul-RS


Via Manteiga Derretida - Pedra do Pântano - Andradas

A via Manteiga Derretida está na Pedra do Pântano, em Andradas-MG, entre as vias Baguette Não e Pão Francês. Ela tem duas enfiadas, onde a segunda especialmente é muito bonita para aqueles que gostam de escalar com equipamentos móveis. O crux da segunda enfiada é uma enorme laca com uma fenda bem estreita, que deve ser protegida com peças pequenas (no croqui eu sugeri algumas peças que podem ser usadas). Após a segunda enfiada, caso os escaladores queiram continuar até o cume, é possível fazer uma travessia (de II grau) para a esquerda, até o grande platô da Baguette Não, e a partir daí seguir por esta via.


Croqui da via Manteiga Derretida ( 5 V E2 50m ).
Obs.: Clique na imagem para ampliar.


Mais informações: Escalada em Andradas - Informações e Croquis

Travessia da Ponta da Joatinga

No Carnaval de 2003, fiz junto com a Cláudia Vilela e o Francisco Petrone a travessia da Ponta da Joatinga: de Parati Mirim até Laranjeiras. Fizemos a travessia em 4 dias e 3 noites. Todas as noites dormimos ao relento, nas praias, ao longo da caminhada.



Foto: Travessia da Ponta da Joatinga, de Parati Mirim à Laranjeiras (RJ)


Texto e fotos: Roberto Lacaze

Chaltén - 2003

Em meados de janeiro de 2003, eu e a Claúdia deixamos Bariloche e fomos de ônibus rumo ao sul. Fomos para Chaltén, na Patagonia, onde o David estava nos esperando. Encontramos com ele no acampamento base do Fitz Roy. A partir daí, eu, o David e o Diego (um argentino que conhecemos lá) iniciamos nossas tentativas para escalar o Poincenot. A Cláudia passou alguns dias caminhando pela região e depois voltou para o Brasil. Enquanto isso, nós três seguimos esperando por janelas de tempo bom para podermos escalar.
Ficamos lá até início de fevereiro. Nesse período fizemos duas tentativas mal sucedidas de escalar o Poincenot, devido rápida piora do tempo durante a subida. E fizemos também uma tentativa de escalar a Aguja Guillaumet, também sem sucesso, devido ao tempo ruim.



Foto: O maciço do Fitz Roy.
Foto: A Laguna de Los Tres. Ao fundo: o Poincenot (3002m), à esquerda, e o Fitz Roy (3441m), à direita.
Foto: Roberto Lacaze, cruzando as rochas ao lado da Laguna de Los Tres, para ter acesso ao glaciar que leva ao Passo Superior.
Foto: Da esquerda para a direita: Saint Exupery, Rafael (ou Innominata), Poincenot e Fitz Roy.
Foto: Poincenot (3002m): a nuvem que se forma a partir do ombro do Poincenot é formada pelo forte vento vindo do oeste.



Foto: Roberto e Diego, subindo para o Passo Superior.

Foto: Diego e David, cavando uma cova na neve, no Passo Superior.

Foto: Roberto e David, dentro da cova de gelo, no Passo Superior: nosso "acampamento alto".

Foto: Retornando do Poincenot na tempestade, após uma das tentativas de escalada.

Foto: Retornando na tempestade, numa das tentativas de escalada.

Foto: No Passo Superior. Ao fundo: as Agujas Mermoz (à esquerda) e Guillaumet (à direita).
Texto e fotos: Roberto Lacaze

Bariloche - 2003

No final de 2002, voltando da Antártica, desci em Punta Arenas e segui de ônibus até Bariloche, na Argentina. Nos dias 24 ao 26 de dezembro fiz uma travessia, passando pelos Refúgios Frey e San Martin.
No dia 25 o tempo fechou: ventava e chovia bastante. Caminhei do Frey ao San Martin. O tempo estava ruim e havia bastante neve nos trechos mais altos da caminhada. Passei pela laguna Schmoll, que estava congelada e totalmente escondida debaixo da neve. No vale seguinte, tive alguma dificuldade para cruzar um rio, que estava bastante cheio devido a chuva. Cruzei a crista seguinte com neve e neblina e cheguei no Refúgio San Martin encharcado. Devido ao mau tempo, no dia 26 desisti de seguir até o Refúgio Itália e voltei para Bariloche.
Em Bariloche encontrei minha amiga Cláudia Vilela. No dia 28/12 subimos para o Refúgio Frey, onde ficamos escalando até o dia 02/01/2003.



Foto: Refúgio Frey e ao fundo a Aguja Frey.

Foto: Escalando nas agulhas da região do Frey


Foto: A vista desde o Refúgio Frey: a laguna Toncek e a Torre Principal do Cerro Catedral.

Após esses dias de escalada em rocha na região do Frey, voltamos para Bariloche.

Dos dias 04/01 ao 11/01 estive no Cerro Tronador, como instrutor do curso de escalada em gelo do CAP - Clube Alpino Paulista.

No dia 08/01, junto com os alunos do curso, escalamos o Pico Argentino do Cerro Tronador.

Foto: No cume do Pico Argentino do Cerro Tronador, junto com os alunos do curso de escalada em gelo.


Texto e fotos: Roberto Lacaze

Antartica - 2002

No final do ano de 2002, tive a oportunidade de participar da operação antártica brasileira, trabalhando como alpinista de apoio aos projetos de pesquisa na estação brasileira Comandante Ferraz, na ilha King George, na Antártica.
A partir do Rio de Janeiro, fomos com o avião Hércules da FAB até a Estação Frey (chilena). Da estação chilena, o navio Ary Rongel nos levou até a estação brasileira. Era final de novembro.
Fiquei lá até fim de dezembro.
Neste período ajudei alguns projetos de pesquisa e também fiz várias caminhadas pelos arredores da Estação Comandante Ferraz, Estação Arctowski (polonesa), Ponta Demay, Ponta Telefon, Ponta Ulman, entre outros.

Subi as seguintes montanhas:

- Morro da Cruz 265m (Ilha King George, Antártica; 29/Novembro/2002)
- Pico Norte 320m (Ilha King George, Antártica; 12/Dezembro/2002)



Foto: O navio de apoio oceanográfico Ary Rongel (H-44).

Foto: A Estação Antártica Comandante Ferraz e a Baía do Almirantado, vistas do cume do Morro da Cruz (265m), na ilha King George.

Meu principal trabalho lá na Antártica foi instalar alguns equipamentos de coleta de partículas e fazer sua troca periódica de baterias. Para isso, eu tinha a prazeirosa tarefa de subir quase que todos os dias o Morro da Cruz, que fica atrás da Estação Comandante Ferraz.


Foto: A vista em frente da Estação Antártica Comandante Ferraz.

Foto: Pinguim

Foto: Pinguim


Foto: Uma ossada de baleia, perto da Estação Comandante Ferraz.

Foto: Elefante marinho (macho).

Foto: Um elefante marinho (fêmea).

Foto: Elefantes marinhos


No cume do Morro da Cruz (265m)

Itatiaia

A seguir está um relato de algumas viagens interessantes que fiz ao Parque Nacional de Itatiaia:

Em março de 1997 passei uma semana em Itatiaia com o Beto Vilela e o Pedro Teixeira. Numa das noites dormimos no cume do Pico de Agulhas Negras. Foi um belo bivaque.

Em outubro de 1999 passei alguns dias em Itatiaia com o Gustavo, a Cláudia, a Mabel, o Pedro e a Fabiana.
Subi a Pedra do Sino de Itatiaia junto com o Gustavo, a Cláudia e a Mabel:

- Pedra do Sino de Itatiaia 2670m (Serra do Itatiaia, MG; 10/Outubro/1999)

Fiz também uma tentativa de subir a Pedra da Coroa, junto com a Mabel. Acabamos não conseguindo chegar, pois estava tarde. Retornamos para o acampamento subindo as Agulhas Negras pela Via Sul e descendo pela Via Pontal.

Em julho de 2002 passei alguns dias em Itatiaia com o Camilo e o Maykel. Escalamos e caminhamos bastante todos os dias.
Dessa vez conseguimos subir a Pedra da Coroa. No mesmo dia, subimos também a Via Sul das Agulhas Negras e retornamos para o acampamento:

- Pedra da Coroa 2640m (Serra do Itatiaia, RJ; 07/Julho/2002)

Outro dia subimos o Pontão Ricardo Gonçalves, nas Agulhas Negras, e retornamos por uma canaleta inclinada na face oeste da montanha.


Outras pedras interessantes que tive a oportunidade de subir em Itatiaia são a Asa do Hermes e também a Pedra Sentada, onde há um livro de cume bem antigo:

- Asa do Hermes 2630m (Serra do Itatiaia, MG/RJ; 02/Abril/1996)
- Pedra Sentada 2453m (Serra das Prateleiras, RJ; 18/Abril/1998)
Texto: Roberto Lacaze

Via Twister - Pedra Rajada - Andradas

A via Twister está na Pedra Rajada (Andradas-MG), uma pedra pouco conhecida, pouco frequentada e pouco escalada, mas que vale a pena uma visita para conhecer. A Twister é uma via em estilo tradicional, com proteções móveis e que segue uma linda linha natural de fendas e diedros.

- Twister ( 6 VIIa E2 40m; Filippo Croso, Pedro Zenite, Roberto Lacaze)


Croqui da via Twister (Pedra Rajada, Andradas-MG)
Obs.: Clique na imagem para ampliar

Mais informações: Escalada em Andradas - Informações e Croquis

Escaladas na Cordilheira Blanca - Cerro Huascarán - Peru - junho de 2001

Em junho de 2001 fui escalar na Cordilheira Blanca, no Peru. A primeira parte da viagem foi junto com meu amigo Marcos Bryan e a segunda parte foi com dois alemães que conheci lá. Durante esse mês as condições climáticas não foram totalmente favoráveis. Fiz tentativas de escalar o Alpamayo e o Artesonraju e consegui chegar no cume das montanhas abaixo:

- Quisuaraju 5380m (Cordillera Blanca, Peru; 08/Junho/2001)
- Huascarán Sur 6768m (Cordillera Blanca, Peru; 26/Junho/2001)



Foto: Huaraz, no Peru.
De São Paulo, fomos de avião até Lima. E de Lima, pegamos um ônibus até Huaraz, que está ao lado da Cordilheira Blanca.


Foto: Caminhada de aproximação ao Alpamayo. Até o Acampamento Base são 2 dias de caminhada por um lindo vale cercado de paredes rochosas.


Foto: Lago, durante a caminhada de aproximação do Alpamayo.


Foto: Caminhada de aproximação: ao fundo pode-se ver o Cerro Alpamayo.


Foto: Quisuaraju (5380m).
Escolhemos o Quisuaraju, próximo ao Alpamayo, para nossa primeira escalada da viagem, para aclimatação. Os últimos 50 metros são uma escalada em rocha de III grau. O Marcos não estava se sentindo bem e ficou me esperando num platô. Subi em solo até o cume.


Foto: Roberto Lacaze no cume do Quisuaraju (5380m).
O tempo estava fechado, ventando e neviscando. Devo ter ficado menos de um minuto lá em cima. Desescalei rapidamente até onde o Marcos estava me esperando. Voltamos para o acampamento bastante cansados e abatidos pela altitude, por ainda não estarmos devidamente aclimatados.


Foto: Cerro Alpamayo.
Após um bom descanso para nos recuperarmos da subida do Quisuaraju, partimos para nosso próximo objetivo: o Alpamayo.


Foto: Subida ao "Acampamento Alto" do Cerro Alpamayo.
Durante a subida, o Marcos não estava se sentindo bem: Desistimos da escalada. Subi em solo pelo glaciar até o "Acampamento Alto", apenas para conhecer.
Retornamos à Huaraz. O Marcos voltou para o Brasil. E eu parti para o próximo objetivo, junto com um americano e dois alemães que conheci. Fomos então para o Cerro Artesonraju.


Foto: Cerro Artesonraju (6050m)


Foto: Cerros Parón (à esquerda) e Artesonraju (à direita)


Foto: Uma van nos levou até o Lago Parón, de onde parte a caminhada de aproximação ao Artesonraju.


Foto: Cerro Artesonraju (6050m).

Dormimos uma noite no acampamento base. Nevou durante a noite. Porém de madrugada o tempo abriu e nós saímos para escalar. O americado desistiu. Segui com os dois alemães, abrindo caminho na neve fofa. Afundávamos bastante, o que tornou a subida lenta e cansativa. Além disso, o tempo fechou durante a subida. Continuamos até o limite de segurança para o horário de retorno. Segundo o altímetro faltavam uns 200 metros até o cume. Porém estávamos muito lentos devido a grande quantidade de neve fofa. Decidimos então retornar, para evitar de ser pegos pela noite, o que não seria prudente, considerando ainda a neblina e o vento que apagava rapidamente todas nossas pegadas.
Desistimos de esperar para fazer mais uma tentativa devido as condições climáticas. Dormimos mais uma noite no acampamento e voltamos para Huaraz.


Foto: Cerro Chacraraju
O Chacraraju é uma montanha bastante difícil, que fica localizada próximo ao Artesonraju.


Foto: Cerro Huandoy, visto do acampamento base do Artesonraju.


Foto: A cidade de Huaraz fica ao lado da Cordilheira Blanca. Ao fundo pode-se ver o Cerro Huascarán (6768m), a montanha mais alta do Peru, e também uma das maiores de toda a América do Sul.


Foto: Acampamento na beirada do glaciar, durante a subida do Huascarán. Ao fundo pode-se ver o Huascarán Norte (6650m), à esquerda, e o Huascarán Sur (6768m), à direita.

O Huascarán foi o próximo objetivo meu e dos dois alemães. Fizemos a caminhada de aproximação até o Acampamento Base. No dia seguinte seguimos até o nosso segundo acampamento, na beirada do glaciar. No terceiro dia subimos até o Acampamento Alto, à 6000m de altitude.


Foto: O Huascarán Sur (6768m), visto no horário do pôr-do-sol.


Foto: Acampamento Alto do Huascarán, à 6000m de altitude. Esse acampamento fica localizado um pouco abaixo do colo entre os Huascarán Norte e Sur.


Foto: Roberto Lacaze, no cume do Huascarán Sur (6768m).

Retornando do cume, desmontamos nosso "Acampamento Alto" e continuamos descendo. Era por volta do meio dia. Na descida quase fomos pegos por uma grande avalanche, que passou de "raspão", a poucos metros de nós. Assustados, seguimos descendo rapidamente. Acampamos novamente nas pedras na beirada do glaciar ("sãos e salvos"...). Quando escureceu fiquei bastante contente de ver um puma. Ele estava rodeando nosso acampamento, atraído provavelmente pelo cheiro da comida. No dia seguinte continuamos nossa descida e retornamos para Huaraz.
Minhas férias estavam chegando ao fim e eu precisava voltar para o Brasil...

Texto e fotos: Roberto Lacaze