Travessia da Ponta da Joatinga

No Carnaval de 2003, fiz junto com a Cláudia Vilela e o Francisco Petrone a travessia da Ponta da Joatinga: de Parati Mirim até Laranjeiras. Fizemos a travessia em 4 dias e 3 noites. Todas as noites dormimos ao relento, nas praias, ao longo da caminhada.



Foto: Travessia da Ponta da Joatinga, de Parati Mirim à Laranjeiras (RJ)


Texto e fotos: Roberto Lacaze

Chaltén - 2003

Em meados de janeiro de 2003, eu e a Claúdia deixamos Bariloche e fomos de ônibus rumo ao sul. Fomos para Chaltén, na Patagonia, onde o David estava nos esperando. Encontramos com ele no acampamento base do Fitz Roy. A partir daí, eu, o David e o Diego (um argentino que conhecemos lá) iniciamos nossas tentativas para escalar o Poincenot. A Cláudia passou alguns dias caminhando pela região e depois voltou para o Brasil. Enquanto isso, nós três seguimos esperando por janelas de tempo bom para podermos escalar.
Ficamos lá até início de fevereiro. Nesse período fizemos duas tentativas mal sucedidas de escalar o Poincenot, devido rápida piora do tempo durante a subida. E fizemos também uma tentativa de escalar a Aguja Guillaumet, também sem sucesso, devido ao tempo ruim.



Foto: O maciço do Fitz Roy.
Foto: A Laguna de Los Tres. Ao fundo: o Poincenot (3002m), à esquerda, e o Fitz Roy (3441m), à direita.
Foto: Roberto Lacaze, cruzando as rochas ao lado da Laguna de Los Tres, para ter acesso ao glaciar que leva ao Passo Superior.
Foto: Da esquerda para a direita: Saint Exupery, Rafael (ou Innominata), Poincenot e Fitz Roy.
Foto: Poincenot (3002m): a nuvem que se forma a partir do ombro do Poincenot é formada pelo forte vento vindo do oeste.



Foto: Roberto e Diego, subindo para o Passo Superior.

Foto: Diego e David, cavando uma cova na neve, no Passo Superior.

Foto: Roberto e David, dentro da cova de gelo, no Passo Superior: nosso "acampamento alto".

Foto: Retornando do Poincenot na tempestade, após uma das tentativas de escalada.

Foto: Retornando na tempestade, numa das tentativas de escalada.

Foto: No Passo Superior. Ao fundo: as Agujas Mermoz (à esquerda) e Guillaumet (à direita).
Texto e fotos: Roberto Lacaze

Bariloche - 2003

No final de 2002, voltando da Antártica, desci em Punta Arenas e segui de ônibus até Bariloche, na Argentina. Nos dias 24 ao 26 de dezembro fiz uma travessia, passando pelos Refúgios Frey e San Martin.
No dia 25 o tempo fechou: ventava e chovia bastante. Caminhei do Frey ao San Martin. O tempo estava ruim e havia bastante neve nos trechos mais altos da caminhada. Passei pela laguna Schmoll, que estava congelada e totalmente escondida debaixo da neve. No vale seguinte, tive alguma dificuldade para cruzar um rio, que estava bastante cheio devido a chuva. Cruzei a crista seguinte com neve e neblina e cheguei no Refúgio San Martin encharcado. Devido ao mau tempo, no dia 26 desisti de seguir até o Refúgio Itália e voltei para Bariloche.
Em Bariloche encontrei minha amiga Cláudia Vilela. No dia 28/12 subimos para o Refúgio Frey, onde ficamos escalando até o dia 02/01/2003.



Foto: Refúgio Frey e ao fundo a Aguja Frey.

Foto: Escalando nas agulhas da região do Frey


Foto: A vista desde o Refúgio Frey: a laguna Toncek e a Torre Principal do Cerro Catedral.

Após esses dias de escalada em rocha na região do Frey, voltamos para Bariloche.

Dos dias 04/01 ao 11/01 estive no Cerro Tronador, como instrutor do curso de escalada em gelo do CAP - Clube Alpino Paulista.

No dia 08/01, junto com os alunos do curso, escalamos o Pico Argentino do Cerro Tronador.

Foto: No cume do Pico Argentino do Cerro Tronador, junto com os alunos do curso de escalada em gelo.


Texto e fotos: Roberto Lacaze

Antartica - 2002

No final do ano de 2002, tive a oportunidade de participar da operação antártica brasileira, trabalhando como alpinista de apoio aos projetos de pesquisa na estação brasileira Comandante Ferraz, na ilha King George, na Antártica.
A partir do Rio de Janeiro, fomos com o avião Hércules da FAB até a Estação Frey (chilena). Da estação chilena, o navio Ary Rongel nos levou até a estação brasileira. Era final de novembro.
Fiquei lá até fim de dezembro.
Neste período ajudei alguns projetos de pesquisa e também fiz várias caminhadas pelos arredores da Estação Comandante Ferraz, Estação Arctowski (polonesa), Ponta Demay, Ponta Telefon, Ponta Ulman, entre outros.

Subi as seguintes montanhas:

- Morro da Cruz 265m (Ilha King George, Antártica; 29/Novembro/2002)
- Pico Norte 320m (Ilha King George, Antártica; 12/Dezembro/2002)



Foto: O navio de apoio oceanográfico Ary Rongel (H-44).

Foto: A Estação Antártica Comandante Ferraz e a Baía do Almirantado, vistas do cume do Morro da Cruz (265m), na ilha King George.

Meu principal trabalho lá na Antártica foi instalar alguns equipamentos de coleta de partículas e fazer sua troca periódica de baterias. Para isso, eu tinha a prazeirosa tarefa de subir quase que todos os dias o Morro da Cruz, que fica atrás da Estação Comandante Ferraz.


Foto: A vista em frente da Estação Antártica Comandante Ferraz.

Foto: Pinguim

Foto: Pinguim


Foto: Uma ossada de baleia, perto da Estação Comandante Ferraz.

Foto: Elefante marinho (macho).

Foto: Um elefante marinho (fêmea).

Foto: Elefantes marinhos


No cume do Morro da Cruz (265m)

Itatiaia

A seguir está um relato de algumas viagens interessantes que fiz ao Parque Nacional de Itatiaia:

Em março de 1997 passei uma semana em Itatiaia com o Beto Vilela e o Pedro Teixeira. Numa das noites dormimos no cume do Pico de Agulhas Negras. Foi um belo bivaque.

Em outubro de 1999 passei alguns dias em Itatiaia com o Gustavo, a Cláudia, a Mabel, o Pedro e a Fabiana.
Subi a Pedra do Sino de Itatiaia junto com o Gustavo, a Cláudia e a Mabel:

- Pedra do Sino de Itatiaia 2670m (Serra do Itatiaia, MG; 10/Outubro/1999)

Fiz também uma tentativa de subir a Pedra da Coroa, junto com a Mabel. Acabamos não conseguindo chegar, pois estava tarde. Retornamos para o acampamento subindo as Agulhas Negras pela Via Sul e descendo pela Via Pontal.

Em julho de 2002 passei alguns dias em Itatiaia com o Camilo e o Maykel. Escalamos e caminhamos bastante todos os dias.
Dessa vez conseguimos subir a Pedra da Coroa. No mesmo dia, subimos também a Via Sul das Agulhas Negras e retornamos para o acampamento:

- Pedra da Coroa 2640m (Serra do Itatiaia, RJ; 07/Julho/2002)

Outro dia subimos o Pontão Ricardo Gonçalves, nas Agulhas Negras, e retornamos por uma canaleta inclinada na face oeste da montanha.


Outras pedras interessantes que tive a oportunidade de subir em Itatiaia são a Asa do Hermes e também a Pedra Sentada, onde há um livro de cume bem antigo:

- Asa do Hermes 2630m (Serra do Itatiaia, MG/RJ; 02/Abril/1996)
- Pedra Sentada 2453m (Serra das Prateleiras, RJ; 18/Abril/1998)
Texto: Roberto Lacaze

Via Twister - Pedra Rajada - Andradas

A via Twister está na Pedra Rajada (Andradas-MG), uma pedra pouco conhecida, pouco frequentada e pouco escalada, mas que vale a pena uma visita para conhecer. A Twister é uma via em estilo tradicional, com proteções móveis e que segue uma linda linha natural de fendas e diedros.

- Twister ( 6 VIIa E2 40m; Filippo Croso, Pedro Zenite, Roberto Lacaze)


Croqui da via Twister (Pedra Rajada, Andradas-MG)
Obs.: Clique na imagem para ampliar

Mais informações: Escalada em Andradas - Informações e Croquis

Escaladas na Cordilheira Blanca - Cerro Huascarán - Peru - junho de 2001

Em junho de 2001 fui escalar na Cordilheira Blanca, no Peru. A primeira parte da viagem foi junto com meu amigo Marcos Bryan e a segunda parte foi com dois alemães que conheci lá. Durante esse mês as condições climáticas não foram totalmente favoráveis. Fiz tentativas de escalar o Alpamayo e o Artesonraju e consegui chegar no cume das montanhas abaixo:

- Quisuaraju 5380m (Cordillera Blanca, Peru; 08/Junho/2001)
- Huascarán Sur 6768m (Cordillera Blanca, Peru; 26/Junho/2001)



Foto: Huaraz, no Peru.
De São Paulo, fomos de avião até Lima. E de Lima, pegamos um ônibus até Huaraz, que está ao lado da Cordilheira Blanca.


Foto: Caminhada de aproximação ao Alpamayo. Até o Acampamento Base são 2 dias de caminhada por um lindo vale cercado de paredes rochosas.


Foto: Lago, durante a caminhada de aproximação do Alpamayo.


Foto: Caminhada de aproximação: ao fundo pode-se ver o Cerro Alpamayo.


Foto: Quisuaraju (5380m).
Escolhemos o Quisuaraju, próximo ao Alpamayo, para nossa primeira escalada da viagem, para aclimatação. Os últimos 50 metros são uma escalada em rocha de III grau. O Marcos não estava se sentindo bem e ficou me esperando num platô. Subi em solo até o cume.


Foto: Roberto Lacaze no cume do Quisuaraju (5380m).
O tempo estava fechado, ventando e neviscando. Devo ter ficado menos de um minuto lá em cima. Desescalei rapidamente até onde o Marcos estava me esperando. Voltamos para o acampamento bastante cansados e abatidos pela altitude, por ainda não estarmos devidamente aclimatados.


Foto: Cerro Alpamayo.
Após um bom descanso para nos recuperarmos da subida do Quisuaraju, partimos para nosso próximo objetivo: o Alpamayo.


Foto: Subida ao "Acampamento Alto" do Cerro Alpamayo.
Durante a subida, o Marcos não estava se sentindo bem: Desistimos da escalada. Subi em solo pelo glaciar até o "Acampamento Alto", apenas para conhecer.
Retornamos à Huaraz. O Marcos voltou para o Brasil. E eu parti para o próximo objetivo, junto com um americano e dois alemães que conheci. Fomos então para o Cerro Artesonraju.


Foto: Cerro Artesonraju (6050m)


Foto: Cerros Parón (à esquerda) e Artesonraju (à direita)


Foto: Uma van nos levou até o Lago Parón, de onde parte a caminhada de aproximação ao Artesonraju.


Foto: Cerro Artesonraju (6050m).

Dormimos uma noite no acampamento base. Nevou durante a noite. Porém de madrugada o tempo abriu e nós saímos para escalar. O americado desistiu. Segui com os dois alemães, abrindo caminho na neve fofa. Afundávamos bastante, o que tornou a subida lenta e cansativa. Além disso, o tempo fechou durante a subida. Continuamos até o limite de segurança para o horário de retorno. Segundo o altímetro faltavam uns 200 metros até o cume. Porém estávamos muito lentos devido a grande quantidade de neve fofa. Decidimos então retornar, para evitar de ser pegos pela noite, o que não seria prudente, considerando ainda a neblina e o vento que apagava rapidamente todas nossas pegadas.
Desistimos de esperar para fazer mais uma tentativa devido as condições climáticas. Dormimos mais uma noite no acampamento e voltamos para Huaraz.


Foto: Cerro Chacraraju
O Chacraraju é uma montanha bastante difícil, que fica localizada próximo ao Artesonraju.


Foto: Cerro Huandoy, visto do acampamento base do Artesonraju.


Foto: A cidade de Huaraz fica ao lado da Cordilheira Blanca. Ao fundo pode-se ver o Cerro Huascarán (6768m), a montanha mais alta do Peru, e também uma das maiores de toda a América do Sul.


Foto: Acampamento na beirada do glaciar, durante a subida do Huascarán. Ao fundo pode-se ver o Huascarán Norte (6650m), à esquerda, e o Huascarán Sur (6768m), à direita.

O Huascarán foi o próximo objetivo meu e dos dois alemães. Fizemos a caminhada de aproximação até o Acampamento Base. No dia seguinte seguimos até o nosso segundo acampamento, na beirada do glaciar. No terceiro dia subimos até o Acampamento Alto, à 6000m de altitude.


Foto: O Huascarán Sur (6768m), visto no horário do pôr-do-sol.


Foto: Acampamento Alto do Huascarán, à 6000m de altitude. Esse acampamento fica localizado um pouco abaixo do colo entre os Huascarán Norte e Sur.


Foto: Roberto Lacaze, no cume do Huascarán Sur (6768m).

Retornando do cume, desmontamos nosso "Acampamento Alto" e continuamos descendo. Era por volta do meio dia. Na descida quase fomos pegos por uma grande avalanche, que passou de "raspão", a poucos metros de nós. Assustados, seguimos descendo rapidamente. Acampamos novamente nas pedras na beirada do glaciar ("sãos e salvos"...). Quando escureceu fiquei bastante contente de ver um puma. Ele estava rodeando nosso acampamento, atraído provavelmente pelo cheiro da comida. No dia seguinte continuamos nossa descida e retornamos para Huaraz.
Minhas férias estavam chegando ao fim e eu precisava voltar para o Brasil...

Texto e fotos: Roberto Lacaze

Via Invasores - Pedra do Pântano - Andradas

A via Invasores está na Pedra do Pântano, em Andradas-MG, entre as vias Tendências Sociofóbicas e Caninana. O início da via está junto aos blocos de pedra que estão à esquerda da Caninana, subindo por uma fenda até chegar no primeiro grampo. Ela tem somente uma enfiada, de estilo bastante tradicional. Após o segundo grampo há uma pequena fenda que deve ser protegida antes de chegar ao platô. Esta fenda está para a direita, um pouco fora do traçado da via, por isso utilize uma costura longa ao proteger. Após o platô a via segue por uma grande fenda. O crux está na saída desta fenda, um pouco antes de chegar na parada.


Croqui da via Invasores ( VI E3 28m )
Obs.: Clique na imagem para ampliar


Mais informações: Escalada em Andradas - Informações e Croquis

Via Vulcano - Pedra do Elefante - Andradas

A via Vulcano está no setor da "cabeça" da Pedra do Elefante (Andradas-MG). É uma via bastante frequentada e toda protegida com chapeletas.

- Vulcano ( 4 V E2 150m; Alexandre Salzani, Fernando Godoi, Pedro Zeneti Junior)


Croqui da via Vulcano (Pedra do Elefante, Andradas-MG)
Obs.: Clique na imagem para ampliar

Mais informações: Escalada em Andradas - Informações e Croquis

Corcovado de Ubatuba

Corcovado de Ubatuba... uma imponente montanha da Serra do Mar, litoral de São Paulo.
Uma bela caminhada, que fiz junto com meus amigos Gustavo, Cláudia e Clayton em dezembro de 2000.

- Corcovado de Ubatuba 1150m (Serra do Mar, SP; 23/Dezembro/2000)





Foto e texto: Roberto Lacaze

Pico do Gigante e Pico do Ovo - O lado esquecido do Parque Nacional de Itatiaia - ano 2000

Há tempos eu vinha sonhando com duas montanhas do Parque Nacional de Itatiaia. Inicialmente apenas admirava elas de longe, olhando por exemplo de cima do Pico de Agulhas Negras. Mais tarde descobri seus nomes: eram os Picos do Gigante e do Ovo. Essas duas montanhas ficavam do outro lado do parque, numa área de difícil acesso, onde provavelmente ninguém chegava a muito tempo. Eu não conhecia ninguém que havia estado naquelas montanhas e, por isso, a única referência que tinha era a carta do IBGE 1:50000.

Assim, no final de junho de 2000, eu e minha amiga Cláudia (Cláudia Vilela, grande companheira de escaladas e caminhadas), aproveitando o feriado do Corpus Christi, fizemos uma linda caminhada, que chamei de Travessia Rebouças-Serrinha.
OBS.: Não conheço registro de que alguém tivesse feito essa travessia antes de nós. Talvez tenhamos sido os pioneiros.


Dia 22/06/2000 - Entramos pela parte alta do parque, passamos pelo Abrigo Rebouças, Vale do Aiuruoca, Ovos de Galinha, seguindo pela trilha da Travessia Rebouças-Mauá. Seguimos por caminho conhecido até o local do “Rancho Caído”. Então deixamos a trilha que continuava em direção à Visconde de Mauá e subimos até o cume do Pico Maromba, à 2619 metros de altitude, onde fizemos nosso primeiro bivaque. Céu estrelado, vento e noite fria, temperatura abaixo de zero...
Dia 23/06/2000 - Lindo amanhecer. O vale abaixo de nós estava branco com a geada. Tempo bastante limpo: lá de cima do Maromba podíamos enxergar até a Serra dos Órgãos e os Três Picos de Salinas (incrível!). Continuamos nossa caminhada: Seguimos descendo pela crista até o cume sul do Maromba (Maromba Sul), onde desviamos diretamente para o Pico Cabeça de Leoa (ou Falso Cabeça de Leão), sem passar pelo Cabeça de Leão. Continuamos descendo pela crista e, ao final, subimos até o Pico do Gigante. Observamos que ainda faltava um longo caminho abrindo trilha para chegarmos no Pico do Ovo, o que não seria possível fazermos agora. Então, descemos um pouco pela crista em direção à Serrinha, até escurecer. Bivacamos em cima de um bloco de pedra meio inclinado. Passamos a noite sem água (nossa água já tinha acabado).
Dia 24/06/2000 - Descemos pela crista. Por volta do meio dia chegamos num riacho, onde pudemos matar nossa sede. Mais um pouco de caminhada de chegamos na civilização: Passamos pelo bairro da Serrinha, seguimos caminhando pela estrada de terra até conseguir uma carona que nos levou a Penedo. Pegamos uma van para Resende e então um ônibus para São Paulo.

No feriadão de 7 de setembro, fiz uma nova tentativa de chegar do Pico do Ovo, dessa vez com meu amigo Pedro Teixeira:
Dia 07/09/2000 – Descemos do ônibus na Rodovia Dutra às 2:00 da madrugada. Estava chovendo. Dormimos na varanda de um boteco que estava fechado. Acordamos às 5:30 e começamos a pedir carona. Após longa espera conseguimos uma carona até a Garganta do Registro e depois outra até a parque alta do parque. Conforme subimos acima das nuvens, o tempo foi abrindo, a chuva parando e o sol aparecendo. Caminhamos até o Pico Maromba, seguimos pela crista e subimos o Pico Cabeça de Leão. Enchemos nossas garrafas d’água num pequeno lago e pouco adiante paramos na encosta do Pico Cabeça de Leoa. Bivacamos em cima de uma laje de pedra. Caíram algumas gotas de chuva, mas não chegaram a incomodar.
Dia 08/09/2000 - Durante a noite as nuvens baixaram e o tempo limpou. Acordamos no dia seguinte com os sacos de dormir cobertos pela geada. Subimos o Pico Cabeça de Leoa e seguimos até o Gigante. A neblina não nos deixava enxergar o Pico do Ovo. Tentamos abrir um caminho para descer o Gigante em direção ao Ovo, mas terminamos numa pendente rochosa bastante inclinada. Voltamos para o Gigante e fizemos nosso bivaque ao lado de uma parede de pedra. Novamente caíram algumas gotas de chuva durante a noite, que não chegaram a incomodar, pois a parede de pedra nos protegia.
Dia 09/09/2000 - Tempo nublado, porém com nuvens mais altas. Pudemos enxergar o Pico do Ovo e traçar um caminho melhor. Começamos a abrir trilha na mata. Encontramos um campo de bromélias, cuja água ajudou a matar nossa sede. Mais algumas horas abrindo trilha e chegamos numa nascente (água!!). Seguimos mais um pouco, mas já estava ficando tarde. Precisamos voltar para nosso local de bivaque.
Dia 10/09/2000 - O feriadão estava terminando e tínhamos que voltar. Descemos pela crista até a Serrinha. Caminhamos ainda pela estradinha até conseguir uma carona até Penedo.

Duas semanas depois, num final de semana, eu, o Pedro e a Claudia fomos mais uma vez tentar chegar no Pico do Ovo. Dessa vez subimos a partir da Serrinha:
Dia 23/09/2000 - Saímos à meia noite de São Paulo e fomos de carro até a Serrinha. Começamos a caminhar às 4:30. Ainda estava escuro. Subimos até o Gigante em 6 horas de caminhada. Continuamos pelo caminho que tínhamos aberto na semana anterior e a partir daí seguimos então abrindo trilha em direção ao Pico do Ovo. No final da tarde voltamos para o Gigante, no nosso local de bivaque.
Dia 24/09/2000 - Acordamos cedo. Seguimos pela trilha que já tínhamos aberto e continuamos abrindo trilha até o Pico do Ovo, onde chegamos às 9:30. Haviam alguns bilhetes dentro de latinhas perto do cume: fazia mais de quinze anos que ninguém chegava lá (pelo o que pudemos entender o acesso antigamente era feito para partir da parte baixa do parque – Sede). Deixamos um livro de cume para registro. Ficamos 2 horas lá em cima, apreciando a paisagem. Comemoramos o aniversário da Cláudia em grande estilo. Depois voltamos para o Gigante e descemos para a Serrinha, onde pegamos o carro e voltamos para São Paulo.

Segue a lista das montanhas que subimos nessas viagens:

- Pico Maromba 2619m (Serra do Marimbondo, RJ; 22/Junho/2000)
- Pico Maromba Sul 2479m (Serra do Marimbondo, RJ; 23/Junho/2000)
- Pico Cabeça de Leoa (ou Falso Cabeça de Leão) 2483m (Serra do Marimbondo, RJ; 23/Junho/2000)
- Pico do Gigante 2190m (Serra do Alambari, RJ; 23/Junho/2000)
- Pico Cabeça de Leão 2430m (Serra do Marimbondo, RJ; 07/Setembro/2000)
- Pico do Ovo 2085m (Serra do Alambari, RJ; 24/Setembro/2000)


Detalhe da carta do IBGE 1:50000. Indiquei os picos e deixei o trajeto tracejado na carta.

Obs.: Pontos para pegar água:

- Riacho na base do Pico Maromba ("Rancho Caído");

- Poças d'água entre os picos Cabeça de Leão e Cabeça de Leoa;

- Nascente no colo entre o Gigante e o Ovo;

- Riacho pouco acima da Serrinha.

Foto: Roberto Lacaze no cume do Pico Maromba (2619m). Ao fundo, da esquerda para a direita: Pico de Prateleiras, Pedra da Coroa, Pico de Agulhas Negras, Asa de Hermes e Pedra do Sino de Itatiaia.

Foto: Pôr-do-sol no cume do Pico Maromba. No horizonte, vê-se a sombra do maciço de Itatiaia projetada no céu.

Foto: Cláudia Vilela descendo pela crista a partir do Pico Maromba. À esquerda está o Pico Cabeça de Leoa (2483m). Ao fundo, mais abaixo, vê-se o Pico do Gigante (2190m).



Foto: Roberto Lacaze descendo pela crista a partir do Pico Cabeça de Leoa. Ao fundo, vê-se o Pico do Gigante e imediatamente à direita, mais abaixo, aparece a ponta do Pico do Ovo.


Foto: Roberto Lacaze no cume do Pico do Gigante (2190m).

Foto: Pico do Ovo (2085m), à direita, e o Pico do Gigante (2190m), à esquerda, vistos da crista que liga o Gigante à Serrinha.

Foto: Pedro Teixeira abrindo trilha entre o Gigante e o Ovo. Nesse momento encontramos uma nascente que matou nossa sede.


Foto: Roberto Lacaze abrindo trilha entre o Gigante e o Ovo. Ao fundo pode-se ver o Pico do Ovo.

Foto: Pico do Ovo (2085m), à direita, e o Pico do Gigante (2190m), à esquerda, vistos da crista que liga o Gigante à Serrinha.


Foto: Pico do Ovo (2085m), à direita, e o Pico do Gigante (2190m), à esquerda, vistos da crista que liga o Gigante à Serrinha.

Foto: Cláudia Vilela e Pedro Teixeira no cume do Pico do Ovo (2085m). Acreditamos que fazia mais de quinze anos que ninguém chegava lá, e provavelmente passarão outros tantos anos até que alguém volte.

Foto: O maciço de Itatiaia visto do cume do Pico do Ovo. Ao fundo, da esquerda para a direita: Pico de Prateleiras, Morro do Couto, Pico de Agulhas Negras, Pedra do Sino de Itatiaia e Pico Cabeça de Leão.

Foto: O Pico do Gigante (2190m) visto do cume do Pico do Ovo. À direita, vê-se a crista que desce em direção à Serrinha.


Texto e fotos: Roberto Lacaze